domingo, 13 de março de 2016

Chocolate faz bem. Mas não tanto quanto alguns estudos fazem parecer

Já disseram que o alimento previne AVC, câncer e até emagrece. Mas a verdade não é tão doce assim 

 


Você já deve ter ouvido falar dos benefícios do chocolate. Em 2015, ficou famoso um suposto estudo que dizia que o chocolate ajuda no processo de emagrecimento. Em 2016, um outro relato dizia que o chocolate contribui para o desempenho do cérebro.
A lista segue: há estudos dizendo que chocolate previne AVC, câncer, enfarto, diabetes. Parece o melhor alimento do mundo. Mas por que, então, o chocolate não está na base da pirâmide alimentar? Naturalmente, porque a verdade não é assim tão doce: as conclusões desses estudos são frequentemente manipuladas para parecerem mais atraentes ao público.
Em alguns casos, a manipulação parte dos pesquisadores. É o caso do estudo que diz que chocolate ajuda a emagrecer. Trata-se de um experimento falso criado propositalmente por um jornalista para mostrar como uso de dados científicos de má qualidade, especialmente na área alimentar, são capazes de ganhar as manchetes e alimentar a indústria de dietas da moda.
No caso do estudo mais recente, que diz que chocolate ajuda a acelerar a atividade mental, um dos autores do estudo afirmou formalmente ao jornal Washington Post” que não era possível estabelecer relação de causalidade entre comer chocolate e ter o cérebro funcionando melhor. A manchete, no entanto, noticiava os benefícios do chocolate para o cérebro.
Foto: Reprodução/Google
Chocolate: o alimento milagroso
 “É quase impossível provar [causalidade] com a maneira como desenhamos nosso estudo”, disse ele. Ou seja: não se sabe se é o chocolate que faz as pessoas ficarem mais inteligentes ou se pessoas mais inteligentes comem mais chocolate.
Há ainda um estudo que foi traduzido como “chocolate ajuda na prática de exercícios”. O real estudo, no entanto, foi conduzido em ratos. Não se sabe se o efeito funcionaria em humanos.
Há, sim, associação do alimento à prevenção do câncer, de pressão alta e problemas arteriais. Ainda assim, eles se referem a tipos específicos de chocolate, em quantidades muito pequenas. Muitas vezes, os processos de manufatura tradicionais do cacau em chocolate eliminam essas substâncias.
Além disso, vários desses estudos levam em consideração quantidades específicas das substâncias benéficas. Se houver variação, o efeito pode ser contrário àquele que os estudos (e as manchetes) relatam.

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